Excesso de açúcar pode forçar ajuste no mix e baratear etanol, aponta consultoria
Excesso de açúcar pode levar a ajuste no mix entre açúcar e etanol, aponta consultoria
A safra global de açúcar 2025/26 é vista como marcada pelo excesso de oferta, o que pode impactar o equilíbrio entre açúcar e etanol. A Hedgepoint Global Markets, por meio de sua coordenadora de Inteligência de Mercado, Lívea Coda, aponta que o Brasil entra em mais um ano de forte disponibilidade, com previsão de produção superior a 40 milhões de toneladas de açúcar. Enquanto isso, Índia, Tailândia e México apresentaram recuperação no processamento, e Estados Unidos e Guatemala também aparecem com boas perspectivas de produção. Essas dinâmicas podem influenciar preços, mix de produção e a demanda por combustível, com efeitos relevantes para empresas, produtores rurais e operadores do setor de energia.
Segundo a especialista, o fluxo comercial da próxima safra pode apresentar excesso de oferta e, consequentemente, cenário baixista para preços. Para resolver esse desequilíbrio, as usinas do Centro-Sul poderiam buscar um mix de produção mais próximo de 46% de açúcar, em vez de manter o patamar tradicional de 50%. A ideia é reduzir o excedente de açúcar, gerando excesso de oferta de etanol, especialmente diante da recuperação da competitividade do etanol em relação ao adoçante.
Se esse ajuste for adotado, o cenário de demanda por combustível precisará acompanhar as mudanças de consumo. A Hedgepoint aponta que a forma mais barata de resolver o problema é gerar demanda por etanol hidratado, alterando o mix da demanda por combustível. Com isso, ao considerar uma expansão de 2,5% no ciclo Otto, o preço do hidratado poderia cair para atrair demanda nos postos de combustíveis, influenciando os patamares nas bombas e incentivando o consumo de hidratado em vez da gasolina C na maioria dos estados brasileiros, até que o excedente de açúcar seja consumido na forma de etanol.
Como referência de valor, estimativas indicam que, em São Paulo, o preço do hidratado no posto poderia ficar próximo de 13,5 centavos de dólar por libra-peso (c/lb), frente a uma faixa anterior de 17–18 c/lb. Em termos de ex-mill, o preço poderia passar de cerca de 3 R$/L para uma faixa de 2,3–2,5 R$/L. Vale notar que existem restrições físicas que podem impedir que o mix de produção seja reduzido para 46% de açúcar, já que volumes já vendidos ou fixados anteriormente nem sempre permitem a mudança completa. Além disso, ajustes na demanda por combustível nem são instantâneos e podem enfrentar limitações logísticas.
Essas projeções são baseadas em dados da Green Pool e Hedgepoint, com referência adicional ao canal Canal Rural.
O que mudou na dinâmica do açúcar e do etanol
- Perspectiva de excesso de oferta para a safra global 2025/26, com Brasil mantendo forte disponibilidade de açúcar.
- Previsão de produção brasileira de açúcar acima de 40 milhões de toneladas para 2025/26.
- A Índia, Tailândia e México mostraram recuperação no processamento; EUA e Guatemala também apresentam boas perspectivas de produção.
- Para a safra 2026/27, a Brasil deve aumentar a produção de cana em 3,2%, para cerca de 630 milhões de toneladas, ainda que isso não garanta maior produção de açúcar devido à competitividade do etanol.
- O efeito do etanol recuperar competitividade pode levar a um ajuste de mix de produção entre açúcar e etanol.
Mix açúcar/etanol: o que as projeções indicam
O fator da maior disponibilidade de açúcar permite que as usinas reduzam o mix de produção para privilegiar etanol em busca de maior lucro, especialmente diante das expectativas de relação futura entre os preços de açúcar e etanol.
- A sugestão é chegar a um mix de açúcar próximo a 46% (em vez de 50%), para resolver o excedente de açúcar e gerar excesso de oferta de etanol.
- A solução considerada mais barata é gerar demanda por hidratado, alterando o mix de demanda por combustível.
- Considerando uma expansão de 2,5% no ciclo Otto, o preço do hidratado tende a cair para atrair demanda, levando os postos a ajustarem o mix de consumo de hidratado versus gasolina C.
- Com esse ajuste, o preço do hidratado em São Paulo poderia ficar em torno de 13,5 c/lb, contra o patamar anterior de 17–18 c/lb; o preço ex-mill cairia de aproximadamente 3 R$/L para 2,3–2,5 R$/L.
- Porém, restrições físicas no mercado podem bloquear a mudança total para o mix de 46%, já que volumes já vendidos/fixados não permitem ajuste completo, e as mudanças na demanda por combustível não são instantâneas.
Cuidados a observar
- As oscilações de preço dependem de condições de mercado e da capacidade de ajuste entre açúcar e etanol pelas usinas.
- As restrições físicas e os contratos existentes podem limitar a transição para o mix proposto.
- A demanda por combustível pode levar tempo para responder a mudanças de preço e de mix.
Impactos práticos
- Empresas: podem precisar ajustar planejamento de produção, abastecimento e custos frente a mudanças no equilíbrio entre açúcar e etanol e na precificação de combustíveis.
- Produtores rurais: o mix de cultivo entre cana para açúcar e para etanol passa a depender de sinais de demanda e de preço de equilíbrio, com volatilidade potencial.
- Profissionais da saúde: variações nos preços de combustíveis podem ter impactos indiretos em custos logísticos de operações e deslocamentos de insumos e equipes.
- Empregadores: exigem acompanhamento de custos operacionais e de energia para planejamento de atividades e cadeia de suprimentos.
Conclusão
As perspectivas para a safra 2025/26 indicam um cenário de excesso de açúcar, com consequências para o mix de produção entre açúcar e etanol. A proposta de reduzir o mix de açúcar para cerca de 46% e incentivar a demanda por hidratado aponta para uma resposta de mercado que pode influenciar preços, consumo de combustível e decisões de produção. Acompanhamento técnico-contábil é fundamental para empresas, produtores rurais, profissionais da saúde e empregadores ajustarem seus planos, respeitando obrigações regulatórias e o cenário de mercado apresentado por especialistas e consultorias.
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