Incerteza logística e alta do diesel devem afetar arroba do boi na 2ª quinzena de março
Incerteza logística e alta do diesel devem afetar arroba do boi na 2ª quinzena de março
O mercado físico do boi gordo apresentou grande volatilidade de preços ao longo da semana, influenciado pelo conflito no Oriente Médio. Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, em São Paulo algumas indústrias passaram a negociar em patamares mais altos no início da semana, mas, posteriormente, houve retração em outros estados, como ocorreu em Mato Grosso do Sul, onde as tentativas de compra permaneceram em níveis mais baixos.
A principal preocupação do momento é a necessidade de reavaliar as rotas e o tempo adicional de cargas no oceano, diante da paralisação no Estreito de Ormuz. Além disso, os preços dos combustíveis vêm em elevação no Brasil e no exterior, o que pode impactar a logística do setor de carnes, gerando possíveis atrasos na entrega. Esses fatores devem ser observados com atenção na segunda quinzena de março.
O que mudou no mercado de boi gordo
O cenário atual indica uma reavaliação das rotas logísticas e do tempo de transporte, com impactos que podem se refletir na formação de preços e na disponibilidade de estoque. O analista ressalta a importância de monitorar o custo de combustível e a evolução dos fretes, pois isso influencia diretamente a margem de comercialização da carne bovina.
Preços médios do boi gordo – 12 de março
- São Paulo (Capital): R$ 345, baixa de 1,43% em relação aos R$ 350 praticados no final da semana passada
- Goiás (Goiânia): R$ 330, estável frente ao encerramento da semana passada
- Minas Gerais (Uberaba): R$ 345, inalterado frente ao fechamento da semana anterior
- Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335, queda de 1,47% ante os R$ 340 praticados no final da semana passada
- Mato Grosso (Cuiabá): R$ 340, sem alteração frente ao valor praticado na semana passada
- Rondônia (Vilhena): R$ 310, recuo de 1,59% ante os R$ 315 registrados no final da semana passada
Mercado atacadista
No mercado atacadista, houve acomodação de preços ao longo da semana. Iglesias ressalta que nem mesmo a entrada dos salários na economia foi suficiente para justificar novos reajustes dos preços da carne bovina.
- Quarto do dianteiro: R$ 20,50, queda de 2,38% frente aos R$ 21,00 por quilo do final da semana anterior
- Quarto traseiro: cotados a R$ 27,00 por quilo, sem alterações em relação à última semana
Exportações de carne bovina
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 341,193 milhões em março até o momento (5 dias úteis), com média diária de US$ 68,238 milhões. A quantidade total exportada pelo país chegou a 59,986 mil toneladas, com média diária de 11,997 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.687,80.
Em relação a março de 2025, houve alta de 22,9% no valor médio diário da exportação, ganho de 5,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 16,1% no preço médio.
Com informações de Safras News
Impactos práticos
- Para empresas: a volatilidade de preços e a maior complexidade logística exigem planejamento de estoques, atenção aos custos com combustível e possíveis atrasos na entrega, com a necessidade de ajustar estratégias de compra conforme as condições regionais.
- Para produtores rurais: observar as tendências regionais de preço e as condições logísticas para definir estratégias de venda e gestão de risco, mantendo-se atento às oscilações de custo de transporte.
- Para profissionais da saúde: com a carne bovina ficando menos acessível a parte da população, pode haver maior demanda por fontes de proteína mais acessíveis, como frango, embutidos e ovos, conforme o contexto de consumo.
- Para empregadores: avaliar os impactos da cadeia de suprimentos e possíveis atrasos na entrega de carnes, ajustando planejamento operacional e de pessoal nos setores ligados à indústria de carnes e varejo.
Conclusão
O cenário de incerteza logística aliado à alta de combustíveis reforça a necessidade de monitorar de perto as oscilações de preço e a evolução da cadeia de suprimentos da carne bovina. Acompanhar as obrigações fiscais, tributárias e operacionais, bem como buscar orientação profissional para o planejamento financeiro e logístico, é recomendável para empresas, produtores e profissionais que atuam na cadeia de carnes.
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