Pressão em Chicago e câmbio perto de R$ 5 retraem negócios da soja no Brasil; qual perspectiva para o mercado?
Pressão em Chicago e câmbio próximo de R$ 5 retraem negócios da soja no Brasil
O mercado brasileiro de soja voltou a enfrentar pressão externa, com o câmbio próximo de R$ 5,00 e a queda dos contratos futuros na CBOT influenciando as negociações. Apesar de as cotações recentemente terem mostrado valorização, a atividade permaneceu discreta, em boa parte devido à saturação dos portos e ao foco dos produtores no avanço do plantio da nova safra.
Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, houve alta nas cotações, mas poucas indicações de compra, sinalizando cautela entre compradores e vendedores. O dólar encerrou em queda de 0,96%, cotado a R$ 4,9897 na venda e R$ 4,9877 na compra, com oscilação entre R$ 4,9887 e R$ 5,0558 ao longo da sessão. Ao longo da semana, o volume de negócios melhorou em relação aos dias anteriores, porém permaneceu abaixo daquele registrado três semanas antes.
O que mudou no cenário da soja
No mercado físico, a saca de 60 quilos avançou em alguns pontos importantes do país, refletindo ainda o cenário de liquidez limitada. Em Passo Fundo (RS), de R$ 146,00 subiu para R$ 148,00; em Santa Rosa (RS), de R$ 147,00 para R$ 149,00; e em Cascavel (PR), de R$ 141,00 para R$ 142,00. Em outras praças, os preços permanecem estáveis ou com variação mais moderada: Rondonópolis (MT) em R$ 141,00, Dourados (MS) R$ 140,00 e Rio Verde (GO) R$ 139,00. Nos portos, a tendência também foi de leve alta: Paranaguá (PR) de R$ 152,00 para R$ 153,00 e Rio Grande (RS) de R$ 153,00 para R$ 155,00 a saca.
Na CBOT, a quinta-feira (22) fechou em alta para o grão e o óleo, enquanto o farelo recuou. A recuperação ocorreu após oito sessões consecutivas de perdas, sustentada por compras de fundos, demanda aquecida—em especial da China—e pela valorização do petróleo. A posição de novembro de 2026 recuou 0,37% na semana, mesmo com o ganho diário.
Para o mercado norte-americano, as vendas líquidas da safra 2026/27 somaram 2,84 milhões de toneladas na semana encerrada em 15 de outubro, conforme o USDA. A China respondeu por 2,18 milhões de toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas do mercado, que projetavam venda entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas.
Ainda que a demanda continue firme, o avanço da colheita nos EUA, favorecido pelo clima, amplia a disponibilidade da oleaginosa e pressiona as cotações. Os produtores norte-americanos também têm direcionado esforços para a colheita do milho, enquanto as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
Movimentação de contratos futuros e subprodutos
O contrato da soja em grão com vencimento em novembro de 2026 avançou 0,27% na quinta-feira, para US$ 12,56 por bushel. A posição janeiro de 2027 subiu 0,29%, a US$ 12,68 por bushel. No mercado de subprodutos, o farelo com vencimento em dezembro recuou 0,34%, para US$ 346,10 por tonelada, enquanto o óleo subiu 0,13%, para US$ 66,83 centavos de dólar por libra-peso. A recuperação no curto prazo reflete o conjunto de fatores citados, com o cenário global ainda sendo monitorado por produtores e empresas do setor.
Abiove e perspectivas para 2027
A Abiove projetou mudanças relevantes para 2027 no desempenho das exportações, da indústria de biodiesel e do processamento interno da soja. Entre os destaques:
- Exportações brasileiras de soja devem recuar 0,8% em 2027, para 113 milhões de toneladas, diante do aumento da demanda doméstica para processamento.
- O esmagamento de soja deve alcançar o recorde de 66 milhões de toneladas em 2027, com crescimento de 3,8% em relação a 2026, impulsionado sobretudo pela demanda da indústria nacional de biodiesel.
- De março de 2027, a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel deverá subir para 16%, ampliando o consumo interno de óleo de soja.
- A produção brasileira de farelo de soja está estimada em 50,8 milhões de toneladas, alta de 3,8% em relação a 2026, com as exportações do farelo projetadas em 26,3 milhões de toneladas (+4%), atingindo o maior volume da série histórica.
- Para o óleo de soja, a Abiove projeta produção recorde de 13,27 milhões de toneladas (+3,7%). As exportações, por sua vez, devem recuar 2,6%, para 1,9 milhão de toneladas, refletindo maior absorção do produto pelo mercado doméstico de biodiesel.
Esses números ajudam a entender o cenário de oferta, demanda e logística que envolve a soja no Brasil em 2027, com impactos diretos na exportação, no processamento local e no uso do óleo para biodiesel.
Impactos práticos
- Empresas: a combinação de câmbio volátil, incerteza de preços e saturação portuária exige planejamento de compra e de gestão de estoques, bem como monitoramento das tendências de exportação e de demanda interna.
- Produtores rurais: a postura mais retraída nas negociações e o foco no plantio da nova safra indicam necessidade de planejamento de divulgação de estoques, momentos de venda e gestão de riscos cambiais e de preço.
- Profissionais da saúde: não há menção direta de impactos específicos para esse setor no texto; no entanto, a trajetória de demanda por biodiesel pode influenciar o mercado interno de óleo de soja, com efeitos indiretos para custos de operações logísticas e de abastecimento relacionadas a frotas que utilizam diesel biodiesel.
- Empregadores: oscilações de câmbio e de preços agrícolas afetam custos de insumos e margens de empresas que atuam em cadeias ligadas à soja, desde a produção até o processamento e a logística de exportação.
Conclusão
O cenário da soja no Brasil permanece sujeito a volatilidade de câmbio, a movimentos nos mercados internacionais e às mudanças estruturais previstas para 2027, especialmente no que diz respeito à demanda interna por biodiesel e ao processamento. A recomendação é acompanhar as divulgações de Abiove e as tendências da CBOT, bem como manter o suporte de um time contábil e tributário para orientar planejamento de estoques, custos e obrigações fiscais diante dessas dinâmicas.
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