Piora das pastagens tende a pressionar arroba do boi para menos de R$ 350 em maio
Queda na arroba do boi gordo e impactos para exportações de carne bovina em 2025
O mercado físico do boi gordo apresentou queda contundente dos preços ao longo desta semana, conforme a consultoria Safras & Mercado. Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da empresa, muitos frigoríficos sinalizaram um posicionamento mais confortável das escalas de abate e passaram a testar níveis mais baixos de preço nas principais praças de produção e comercialização.
“A sazonalidade é fator importante nesta estratégia, considerando a maior saída de animais durante o segundo trimestre, período em que tipicamente a qualidade das pastagens declina e o pecuarista perde capacidade de retenção, aumentando a necessidade de negociação”, aponta. De acordo com Iglesias, a progressão da cota chinesa de importações de carne bovina do Brasil, fixada em 1,1 milhão de toneladas (com excedente taxado em 55%), é outro elemento de grande importância a ser mencionado, com a perspectiva de esgotamento entre os meses de junho e julho.
O analista ressalta que para a próxima semana e ao longo do mês de maio, esses fatores devem incentivar a indústria a tentativas de compra abaixo de R$ 350 na praça-base São Paulo, levando a reduções em outros estados também.
Variação do preço da arroba na semana
Na sexta-feira (24), a referência média para a arroba do boi foi cotada da seguinte forma nas principais praças de comercialização do país:
- São Paulo: R$ 362,08, contra R$ 368,33 há uma semana (-1,7%);
- Goiás: R$ 344,64, ante R$ 355,89 (-3,1%);
- Minas Gerais: R$ 352,27, contra R$ 357,65 (-1,58%);
- Mato Grosso do Sul: R$ 352,77, ante R$ 359,66 (-1,9%);
- Mato Grosso: R$ 362,91, contra R$ 364,05 (-0,31%).
Exportações de carne bovina
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 942,105 milhões em abril até o momento (12 dias úteis), com média diária de US$ 78,508 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 153,353 mil toneladas, com média diária de 12,779 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.143,4. Em relação a abril de 2025, houve alta de 29,2% no valor médio diário da exportação, ganho de 5,8% na quantidade média diária exportada e avanço de 22,1% no preço médio.
Cuidados e implicações para o mercado
Com o cenário descrito, empresas, produtores rurais, profissionais da saúde e empregadores devem observar referências de preço e planejamento de suprimento, já que as margens da cadeia podem ser pressionadas e as negociações de venda e compra tendem a se adaptar rapidamente aos sinais de demanda e oferta. Fatores como a sazonalidade, o ritmo de exportação e as projeções para maio são determinantes para a estratégia de compra, estoque e financiamento das cadeias de produção.
Impactos práticos
- Empresas: redução de preços pode pressionar margens em frigoríficos e traders; atenção aos planos de compra abaixo de R$ 350 na praça-base São Paulo e às margens de venda.
- Produtores rurais: necessidade de gestão de retenção de animais e planejamento de parcerias de venda, considerando a sazonalidade e a possível menor disponibilidade de pastagem.
- Profissionais da saúde: impactos indiretos na cadeia de fornecimento de carne para contratos de alimentação institucional, conforme o ritmo de demanda e preços praticados no mercado.
- Empregadores: mudanças na rentabilidade de propriedades agropecuárias podem influenciar decisões de investimento, fluxo de caixa e programação de contratos de trabalho na agroindústria.
Conclusão
As oscilações recentes no preço da arroba e as tendências de exportação indicam que o setor de carne bovina está reagindo a fatores sazonais, a variações na demanda externa e a cenários de oferta interna. Acompanhamento técnico-contábil cuidadoso é essencial para planejar compras,financiamento e estratégias de venda, assegurando equilíbrio entre custo, qualidade de fornecimento e rentabilidade. Conte com orientação profissional para entender obrigações fiscais, planejamento financeiro e gestão de riscos na cadeia produtiva.
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